Madeira, floresta e futuro: o olhar do engenheiro florestal Durval de Oliveira sobre o manejo sustentável

Com uma trajetória ligada ao setor madeireiro desde o fim dos anos 1980, o engenheiro florestal explica como manejo, conhecimento técnico e aproveitamento responsável da matéria-prima podem conciliar produção e conservação das florestas brasileiras.

Falar sobre madeira brasileira é, necessariamente, falar sobre floresta. Mas também é falar sobre conhecimento técnico, rastreabilidade, aproveitamento de recursos e responsabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

Para o engenheiro florestal Durval de Oliveira, essa relação faz parte de uma trajetória profissional que começou muito antes de sua formação acadêmica. Seu contato com o setor madeireiro remonta ao final da década de 1980, quando trabalhava em uma revenda de óleo diesel que atendia madeireiras e começou a realizar permutas do combustível por madeira serrada.

Anos depois, já atuando no mercado rural, aproximou-se dos processos de licenciamento e manejo florestal. Em 2009, ingressou na faculdade de Engenharia Florestal, concluindo sua formação em 2013. Sua aproximação com a Areka’a aconteceu posteriormente, por intermédio de um cliente antigo.

Da origem da madeira à indústria

Dentro de uma cadeia que trabalha com um recurso natural, o papel do engenheiro florestal começa muito antes de a madeira chegar à indústria.

Segundo Durval, esse profissional acompanha a matéria-prima desde sua origem, no manejo florestal, e também pode atuar como responsável técnico da atividade industrial. Entre suas atribuições está justamente atestar a origem legal da madeira utilizada.

Esse acompanhamento é especialmente relevante em um setor no qual procedência e responsabilidade ambiental precisam caminhar junto à qualidade do produto final.

Manejar não significa desmatar

Um dos pontos centrais destacados pelo engenheiro é a necessidade de diferenciar manejo florestal sustentável de desmatamento.

No Mato Grosso, Durval explica que grande parte da produção legal ocorre por meio do PMFS — Plano de Manejo Florestal Sustentável. Nesse sistema, não ocorre a remoção integral da floresta, mas a extração seletiva das árvores consideradas prontas para a colheita.

O manejo utiliza técnicas que permitem que a área explorada se recupere e possa receber uma nova intervenção no futuro, mantendo a floresta e sua biodiversidade. Na visão do engenheiro, é justamente essa dinâmica que permite compatibilizar dois objetivos que muitas vezes são apresentados como opostos: fornecer matéria-prima para a indústria e conservar a floresta.

O desafio, segundo ele, está na atividade clandestina. A extração ilegal de madeira não apenas provoca impactos ambientais como compromete a percepção sobre todo um setor formado também por empresas e profissionais que atuam dentro da legalidade.

A biodiversidade também está na madeira

A diversidade das florestas brasileiras é outro aspecto que Durval considera especialmente relevante.

Por serem extremamente heterogêneas, elas reúnem uma ampla variedade de espécies e, consequentemente, diferentes possibilidades de utilização. Essa riqueza não se limita à madeira: inclui também produtos não madeireiros, como frutos e castanhas.

Quando o olhar se volta especificamente para a cadeia madeireira, essa diversidade permite atender desde aplicações mais simples até produtos que demandam características específicas da matéria-prima.

Conhecer essas espécies, suas características e possibilidades de aplicação também significa ampliar o olhar sobre aquilo que a floresta pode oferecer sem reduzir seu valor a poucas espécies tradicionalmente comercializadas.

Aproveitar melhor para retirar menos

É nesse ponto que o trabalho desenvolvido pela Areka’a ganha uma dimensão particularmente importante.

De acordo com Durval, a empresa utiliza exclusivamente madeira proveniente de manejo florestal sustentável. Além disso, uma parcela significativa de seus produtos é desenvolvida a partir de resíduos da exploração florestal — materiais que poderiam permanecer abandonados na floresta e passam a receber uma nova destinação.

A lógica é simples, mas poderosa: quanto melhor é o aproveitamento da matéria-prima já retirada, maior é o valor gerado a partir de um mesmo recurso.

Para Durval, essa otimização representa uma forma concreta de sustentabilidade. Em vez de enxergar apenas as peças tradicionalmente valorizadas pelo mercado, amplia-se a capacidade de utilização da madeira disponível e reduz-se a pressão pela obtenção de nova matéria-prima.

Conhecimento para transformar a relação com a floresta

A madeira é um recurso natural renovável, mas sua utilização responsável depende das decisões tomadas em toda a cadeia: da floresta ao processamento, do projeto à aplicação final.

A experiência de Durval evidencia justamente a importância do conhecimento técnico nesse processo. Manejar corretamente, conhecer a origem da matéria-prima, respeitar os ciclos da floresta e ampliar o aproveitamento daquilo que já foi extraído são caminhos para construir uma relação mais inteligente com um dos recursos naturais mais importantes do Brasil.

Na Areka’a, essa visão se materializa na escolha pela madeira de origem responsável e na busca por novas possibilidades para materiais que poderiam ser descartados.

Porque valorizar a madeira brasileira também significa compreender o valor da floresta que a origina.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top